História


A origem da pêssanka ainda não foi totalmente desvendada. O termo “pêssanka” é proveniente do verbo “pyssaty” que significa “escrever”. Arqueólogos descobriram nas ruínas da igreja de Krylos, no coração da antiga Galícia, em 1992, na Ucrânia Ocidental, uma pêssanka de cerâmica datada de 1300 a.C. o que leva a acreditar que os mais antigos ovos “escritos”, produzidos com ferramentas rudimentares, poderiam ter sido criados pelo povo ancestral da cultura Trypillia, que vivia em vasta área do território ucraniano, desde 3000 anos a.C. 

Na era da Ucrânia pré-cristã, a pêssanka representava uma dádiva ao Deus Sol, símbolo essencial e o mais antigo dessa cultura. O Sol representava um Elemento vital no continente europeu, pois fazia a vida ressurgir na primavera, depois dos implacáveis meses de inverno, derretendo a neve e trazendo nova vida às negras e ricas terras da Ucrânia. Nessa época o povo tinha suas crença ligadas à natureza, voltadas instintivamente para aquilo que via e sentia. 

Os ucranianos, assim como outros povos antigos, veneravam o sol, o Dajbóh, e a ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor à Terra e assim gradativamente o verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos ao povo que poderia trabalhar a terra para obter seu sustento.

As festas da Primavera era um evento alegre. Desde o início deste dia o povo estava em festa, era acesa uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. 

Nesta festa eram oferecidas pêssankas a Dajbóh e aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo tudo aquilo do que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza. 

Uma explicação para tal interesse do ser humano antigo pelo ovo, reside no fato dele possuir uma magia incrível, pois através dele, de uma forma simples e rude, surge a vida. 

As ferramentas para a arte de escrever as Pêssankas evoluíram gradativamente e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar. 

A partir do ano 988 d. C., através do Príncipe Volodymir a Ucrânia é batizada nas margens do Rio Dnipró passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essas mudanças e não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera. A Igreja então incorporou seus símbolos religiosos aos rituais festivos e à confecção dos ovos. 

Astutamente, a solução encontrada pela igreja foi adaptação destes antigos costumes, aos símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas atribuíam a eles um simbolismo correlato ao cristianismo.

A antiga e tradicional Festa da Primavera, transformou-se na Páscoa Cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva. As pêssankas, continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero religioso fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos. 

Passou-se então a se fazer pêssankas para dar aos parentes e amigos respeitados, na época da Páscoa, para expressar através delas, tudo aquilo que desejavam a seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar. 

Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais e o comunismo.

Durante o regime comunista e ateísta as pêssankas foram proibidas no país, mas continuaram a serem produzidas longe das grandes cidades. No Brasil, assim como em outros países que há descendentes de ucranianos são produzidos na época da páscoa. 

Depois da independência da Ucrânia em 1991 elas voltaram a ser produzidas, exigida pela população que saiu às ruas. Hoje, além do seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente e além disso, a pêssanka é uma simbiose de seu significado pagão, a saudação ao renascimento da natureza na primavera com o principal sentido da cristandade, a celebração da Ressurreição de Cristo, o renascimento da alma do Homem. 








Um comentário:

Yanov Ayala disse...

Pêssanka faz parte de nossa cultura Ucraniana. Temos que preservar essa cultura a todo custo, pois somos indiretamente representantes da mãe Ucrânia.